1 de jan. de 2013

Raça e genes x Cotas Raciais



Por: Hélio Schwartsman

O caderno sobre cotas que a Folha publicou no domingo mostrou, com exemplos de carne e osso, que aquilo que vemos como características raciais não corresponde necessariamente à biologia. A análise de DNA encomendada pelo jornal revelou que a estudante que se declarou negra tinha menos genes de origem africana do que a que se definiu como "muito branca".

A razão para a confusão é que o Brasil é um país miscigenado e a cor da pele, que tomamos como principal indicador de raça, é definida por um conjunto de cinco a dez genes que operam pelo modelo de interação. Se um branco tem um filho com uma negra, é provável que a criança exiba um cor intermediária. Mas, quando os pais são ambos mestiços, o filho pode herdar múltiplas combinações desses genes, ampliando o leque de colorações possíveis.

A questão central é se é lícito ou não falar em raças humanas. E aqui o debate é acirrado. De um lado, há cientistas, encabeçados pelo biólogo Richard Lewontin, que sustentam que raças são meras construções sociais, fruto da imaginação de nossas mentes essencialistas sem significado biológico ou taxonômico.

Do outro lado, estão autores como Anthony Edwards e Richard Dawkins, para os quais as categorias raciais têm algum valor informativo, já que existe correlação entre a frequência dos diferentes alelos de um gene numa população e a sua distribuição geográfica. Em outras palavras, as pessoas se parecem com seus pais e tendem a herdar várias de suas características. É útil para um médico saber se o paciente é negro na hora de diagnosticar uma possível anemia falciforme ou outra doença de maior prevalência nesse grupo.

A polêmica está longe de resolvida, mas, mesmo que a ciência venha a reconhecer a validade do conceito de raça, isso de modo algum legitimaria qualquer forma de discriminação. O argumento contra o racismo é moral, e não biológico. 

14 de dez. de 2012

Debate sobre Fundo de Apoio à Cultura será realizado no primeiro trimestre de 2013


 
A Secretaria de Cultura do Distrito Federal alterou a data da 2ª Etapa da Consulta Pública "O FAC que Queremos". O debate sobre o novo decreto do Fundo de Apoio à Cultura (FAC), que seria realizado neste sábado (15), está previsto para o primeiro trimestre de 2013. O objetivo é elaborar um novo decreto de forma mais democrática, tomando como base a opinião da população, para formalizar o Plano de Cultura e o Sistema de Cultura do DF.

"Não queríamos fazer uma lei de gabinete. Como precisávamos atualizar o FAC, resolvemos convocar a participação da população", afirmou o coordenador de Participação Popular da Secretaria de Cultura do DF, Nelson Giles.

A mudança da data ocorreu com o objetivo de qualificar a discussão e possibilitar à sociedade acesso prévio à primeira proposta de texto para o decreto. Como preparação, foi realizado um encontro inicial no dia 24 de novembro deste ano, no qual foram colhidas diversas sugestões. Além disso, outras contribuições foram encaminhadas pela sociedade civil por meio do site da Consulta Pública, da Secretaria de Cultura, www.consultapublicacultura.df.gov.br, que continua aberto para novas contribuições.

Todas as sugestões estão sendo reunidas e serão consideradas na elaboração da primeira proposta de texto para o novo decreto. A primeira versão será divulgada com as sugestões em destaque para análise geral. Um encontro presencial para debate ainda será marcado.

"Estamos trabalhando sobre a sistematização das sugestões, para levar ao debate uma minuta de decreto viável ao diálogo. Não tivemos tempo hábil para que todas as sugestões fossem postas no documento, por isso resolvemos adiar a consulta popular", concluiu Nelson Giles.
 
Fonte: Agência Brasília

5 de out. de 2012

Tire suas principais dúvidas sobre votos brancos e nulos nesta reta final nas eleições



Fonte: O Globo

RIO - Em época de eleição, correntes de e-mail sobre sorte, saúde ou novos golpes acabam dando lugar a mensagens que pregam o voto em branco ou nulo nas urnas. Se, em vez de tirar dúvidas, essas mensagens serviram apenas para lotar sua caixa de entrada, confira a seguir as explicações do advogado Sílvio Salata, presidente da Comissão de Estudos Eleitorais e Valorização do Voto da Ordem dos Advogados do Brasil de São Paulo (OAB-SP), e do cientista político Lúcio Rennó, da Universidade de Brasília (UnB) .

1 - Votos brancos ou nulos são contabilizados na eleição?

Não. Votos brancos e nulos não entram na contagem oficial. Tanto nas eleições majoritárias como nas proporcionais são apenas considerados os votos válidos na apuração, ou seja, são excluídos brancos e nulos. Por isso, o voto nulo ou branco, no âmbito da votação, não tem qualquer valor.

2 - O voto em branco e o nulo são a mesma coisa?

Em parte. Para votar em branco, o eleitor precisa apertar a tecla "branco" na urna eletrônica. Para votar nulo, é preciso digitar de forma errada o número do candidato e confirmar a escolha. No entanto, como ambos não são contabilizados, acabam tendo o mesmo valor na votação.

3 - É possível que uma eleição seja anulada se mais de 50% dos votos forem nulos?

Não. Votos nulos não entram na totalização e, por isso, qualquer que seja a quantidade destes votos não haverá impacto no resultado da eleição.

4 - Qual a diferença entre voto nulo e voto anulado?

O voto anulado corresponde aos votos dados a um candidato que, depois da eleição, foi declarado inelegível. Se os votos deste candidato corresponderem a mais de 50% dos votos válidos, é preciso convocar uma nova eleição. Nestes casos, a Justiça tem entendido que o candidato que deu origem ao novo pleito não pode participar da eleição. Todos os outros postulantes podem se candidatar novamente.

5 - O voto em branco vai para o candidato que está na frente?

Não. Votos brancos não entram na totalização, só são válidos os votos em candidatos e legendas. Votar em branco ou nulo, porém, pode ajudar o candidato que está na frente, pois são necessários menos votos para se eleger.

6 - O voto nulo ou em branco é democrático?

Em parte. Para alguns especialistas, estes votos, por serem excluídos na totalização, contrariam o preceito constitucional de que o poder emana do povo. Já outros acreditam que abstenção é uma escolha democraticamente válida, que pode representar um sinal de protesto ou indecisão quanto ao processo eleitoral.

Invenção brasileira ajuda população de favela no Quênia


 

O queniano Matayo Magalasi estava desempregado, procurando emprego na internet, quando descobriu Alfredo Moser, um mecânico brasileiro que inventou uma lâmpada fabricada com garrafa pet e que não usa eletricidade.

Cheias de águas, as garrafas que refletem a luz do sol têm a potência equivalente a uma lâmpada de 50 watts.

Matayo, sem dinheiro, resolveu começar a produzi-las com material que achava no lixo. "Eu tinha de achar algo para ajudar a minha comunidade".

Hoje, ele prepara as lâmpadas de garrafas na sede da ONG Koch Hope e as instala de graça, para iluminar escolas e casas em Nairobi.

1 de out. de 2012

A CIDADE QUE TEMOS E A CIDADE QUE QUEREMOS. COMO VOCÊ VER SÃO SEBASTIÃO DAQUI A VINTE ANOS? FECHE OS OLHOS, POR UM INSTANTE, E SE IMAGINE NO FUTURO!



São Sebastião precisa de um norte, de uma forte mensagem de esperança, de um foco de união. São Sebastião precisa de uma alternativa, uma alternativa que zele pelos interesses dos moradores, uma alternativa Real. Porque chega de palavras jogadas ao vento, sem nenhuma ação prática! Em outubro de 1989 lancei o PROADESS - PROGRAMA DE APOIO AO DESENVOLVIMENTO ECONÔMICO E SOCIAL DE SÃO SEBASTIÃO que tinha como meta traçar o desenvolvimento da nossa cidade para os próximos vinte anos.  De lá para cá já se passaram vinte e oito anos e muito do que foi previsto neste Programa, aconteceu.  Cito, por exemplo, a criação da Administração de São Sebastião (RA-XIV), a Vila Olímpica, 30ª Delegacia de Polícia, dentre outras obras, igualmente importantes.

A cidade cresceu e, junto com ela, os problemas de ordem social, econômica e cultural. Cobrar soluções das autoridades, apenas, sem a participação efetiva da sociedade, também não é aconselhável, porque a história tem provado que não funciona. O cidadão de bem elege os seus representantes com a esperança deles trabalharem a favor do povo. Depois de eleitos a maioria some, se metem em coisas erradas, voltando a aparecer, novamente, depois de quatro anos, para novamente lhes pedir o voto! Enquanto isso a população sofre com a falta de segurança, emprego, saúde e transporte público de qualidade.

Partindo do princípio de que não se pode criticar por criticar, sem antes apresentar uma alternativa ao modelo atual de gestão, estou reativando o PROADESS para que, juntos, possamos traçar o futuro de São Sebastião para os próximos vinte anos. Para isso, conto com a colaboração da população, independentemente de partido político, religião, cor ou classe social. Todos que puderem colaborar com alguma ideia ou sugestão serão todos bem vindos! Pense no que ainda falta à nossa cidade. As suas sugestões poderão ser encaminhas através do meu blog, www.liranoticias.blogspot.com ou através de urnas colocadas estrategicamente em lugares de fácil acesso dos moradores como padarias, supermercados e farmácias.

Em breve será realizado um seminário com o tema acima para tratar de assuntos como segurança, educação, economia, lazer, cultura, esportes, moradia, dentre outros, que contará com a participação de autoridades, economistas, advogados, urbanistas, ambientalistas, etc... e, claro, com a presença da própria população. Ao final, será lançada uma cartilha com as principais propostas voltadas para o desenvolvimento da cidade de São Sebastião e que servirá de base tanto para os políticos quanto para empreendedores. Um projeto que deu certo no passado poderá, muito bem, dar certo no presente, para que possamos nos programar para o futuro!
Ivonildo Di Lira
ICB Brasília

21 de set. de 2012

Facebook desativa reconhecimento facial por privacidade

Fonte: Portal Terra
 
O Facebook adotou controles de privacidade mais severos, em grau suficiente para responder às preocupações da organização que regulamenta a companhia de redes sociais fora da América do Norte, o que elimina a possibilidade de uma contestação judicial imediata.

A maior rede social do mundo obtém a maior parte de seu faturamento com publicidade, mas precisa caminhar com cuidado ao fazer isso, para evitar causar aos seus 950 milhões de usuários a impressão de que está invadindo sua privacidade a fim de obter mais receita.

Em dezembro de 2011, a companhia foi informada pelo Data Protection Commissioner da Irlanda que teria de reformular suas normas de proteção a privacidade para usuários de fora dos Estados Unidos e Canadá, depois que uma investigação da organização constatou que suas normas eram complexas demais e que faltava transparência. A organização se declarou encorajada pela decisão de desativar uma tecnologia de reconhecimento facial para os novos usuários do Facebook na União Europeia, inicialmente, e para os demais usuários existentes a partir do mês que vem.

A agência irlandesa, que fiscaliza as atividades do Facebook porque a sede das atividades internacionais da companhia fica em Dublin, anunciou na sexta-feira que a maior parte de suas instruções haviam sido adotadas, e que haveria avanços quanto às demais nas próximas quatro semanas. "Esperamos que o progresso reportado na revisão tenha bastado para atender às diversas queixas que recebemos quanto ao Facebook Ireland", disse o comissário irlandês de proteção de dados, Billy Hawkes, em entrevista por telefone.

Queixas quanto à privacidade podem ser dispendiosas para sites de redes sociais como o Facebook, a primeira empresa norte-americana a abrir capital com valorização de mercado da ordem de mais de US$ 100 bilhões, em maio, antes que o preço das ações da empresa despencasse devido a incertezas quanto às suas perspectivas de negócios.

19 de set. de 2012

Internet pode diminuir a inteligência e a empatia, diz pesquisadora


REINALDO JOSÉ LOPES

EDITOR DE "CIÊNCIA+SAÚDE"

A neurocientista e baronesa britânica Susan Greenfield, 61, faz questão de ser uma voz dissonante em meio à empolgação de muita gente com o potencial das redes sociais e da internet.

Stuart Clarke - 3.jun.08/Rex Features
Susan Greenfield em Londres
Susan Greenfield em Londres
Para ela, há razões para acreditar que a vida virtual está criando uma geração de pessoas menos inteligentes e menos capazes de empatia --um ponto de vista que já lhe rendeu desafetos dentro e fora da comunidade científica.

A baronesa Greenfield, que leciona na Universidade de Oxford (Reino Unido), está no Brasil para o ciclo de palestras Fronteiras do Pensamento. Sua conferência na Sala São Paulo, na capital paulista, acontece hoje. Confira abaixo trechos da entrevista que ela concedeu à Folha.

Folha - Como a sra. começou a se interessar pelo impacto das novas tecnologias sobre o cérebro humano?

Susan Greenfield - Comecei a discutir esse assunto em 2009, na Câmara dos Lordes [órgão do Parlamento britânico do qual ela faz parte], quando houve um debate sobre a regulação do uso da internet e possíveis efeitos nocivos de seu uso sobre crianças.

Como neurocientista, o que eu levei em consideração nesse debate é o fato de que o cérebro humano evoluiu para responder a estímulos muito diferentes dos que estão afetando o desenvolvimento das crianças de hoje. Isso não é um julgamento de valor, é apenas um fato. E, quando você olha a literatura científica recente, há sinais consideráveis de mudanças, embora obviamente precisemos de mais estudos para entender exatamente o que está acontecendo.

Sabemos, por exemplo, que o uso de redes sociais e de videogames pode ter efeitos bioquímicos muito parecidos com os do vício em drogas no cérebro. No ano passado, um trabalho com tomografias mostrou anormalidades estruturais ligadas a esse tipo de comportamento. Também há testes mostrando um aumento de problemas de compreensão verbal e um declínio na capacidade de empatia.

É claro que as pessoas podem dizer que se trata de uma correlação, que não necessariamente uma coisa causa a outra. É um argumento válido, mas também é o mesmo argumento que as pessoas usavam nos anos 1950 a respeito da relação entre fumo e câncer de pulmão --até os epidemiologistas mostrarem que a relação realmente envolvia uma causa e um efeito.


A sra. foi muito criticada por levantar essa hipótese. Esperava reações tão violentas?

Sim e não. Por um lado, é assim que a ciência funciona, as críticas são esperadas e necessárias. O problema é quando elas se tornam pessoais. Como se diz na Austrália, você tem de chutar a bola, e não o jogador. E, claro, muita gente está ganhando muito dinheiro com isso e não vai gostar se alguém como eu tenta estragar a festa (risos).



Também temos visto uma melhora constante nos níveis de QI no mundo todo nas últimas décadas. Isso não significaria que as mudanças tecnológicas também têm efeitos positivos sobre o cérebro?

De fato, há indícios de que o uso de videogames pode melhorar a memória de curto prazo e a agilidade mental, por exemplo. Isso é verdade, mas não acho que seja a história toda. Velocidade mental, capacidade de processar informações com rapidez, não é a mesma coisa que entendimento ou sabedoria. O que nós não estamos vendo, apesar dos avanços mensuráveis no QI, é um aumento dos insights sobre a condição humana ou da imaginação, por exemplo.


6 de set. de 2012

Para a magnata Rinehart, Austrália é muito cara para mineração



Por Damian Gill | Reuters 

A mulher mais rica da Ásia, a magnata Gina Rinehart, alertou nesta quarta-feira que a Austrália está se tornando muito cara para empresas de mineração.

Ela disse ainda que a indústria de mineração pode encontrar mão-de-obra muito mais barata na África. Os comentários de Rinehart, prontamente censurados pela primeira-ministra Julia Gillard, coincidem com a crescente preocupação com o boom de mineração da Austrália, diante da demanda mais fraca do principal consumidor, a China.

Além disso, os preços do minério de ferro estão em queda, atingindo o menor patamar em quase três anos. Na semana passada, a Fortescue Metals Group Ltd, da Austrália, disse que reduziria seu gasto de capital em 25 por cento e que recuaria nos planos de expansão, enquanto a BHP Billiton Ltd deixou de lado uma expansão em mina de cobre e ouro de 20 bilhões de dólares na Austrália, e colocou todas as outras aprovações ao redor do mundo em posição de espera.

"A evidência é indiscutível de que a Austrália está se tornando muito cara e muito pouco competitiva para realizar um negócio orientado para exportação", disse Rinehart ao Clube de Mineração de Sidney, em uma rara aparição pública.

"Os africanos querem trabalhar, e seus trabalhadores estão querendo trabalhar por menos de 2 dólares por dia", disse ela no vídeo. "Tais estatísticas me fazem ficar preocupada com o futuro deste país. "Estamos nos tornando um país de alto custo e alto risco para investimento."

Rinehart, cuja fortuna foi estimada pela revista Forbes em 18 bilhões de dólares em fevereiro, opõe-se à recente taxa de mineração introduzida, que criou tensões com o governo de Gillard.
Ela também pediu que as mineradoras permitam trazer trabalhadores de fora do país, e sua companhia, a Hancock Prospecting, recebeu aprovação do governo em maio para contratar 1.700 trabalhadores estrangeiros de construção, para o projeto Roy Hill, no Estado da Austrália Ocidental.

Gillard criticou as observações de Rinehart, dizendo que o setor de recursos estava indo bem e que possui um investimento de 500 bilhões de dólares, dos quais quase metade em estágio avançado. "Não é o jeito australiano balançar 2 dólares às pessoas, jogar uma moeda de ouro e pedir que eles trabalhem por um dia", disse Gillard aos jornalistas. "Nós apoiamos salários australianos adequados e condições decentes de trabalho."

As considerações de Rinehart são as mais recentes a ter a economia da Austrália como alvo.
Em uma coluna publicada na semana passada, em revista sobre mineração, Rinehart disse que os australianos precisam reclamar menos e trabalhar mais se quiserem ser ricos.

"Não há monopólio em se tornar um milionário. Se você é invejoso daqueles com mais dinheiro, não fique sentado reclamando, faça algo para fazer mais dinheiro você mesmo", escreveu ela na revista Australian Resources and Investment. "Gastar menos tempo bebendo, fumando e socializando e mais tempo trabalhando."

1 de set. de 2012

1º a pisar na Lua era proibido de pisar em Langholm




 Neil Armstrong recebe o título de "Freeman" na Escócia

Foto: Nasa

Falecido no dia 25 de agosto, aos 82 anos, o astronauta americano Neil Armstrong deixou o seu nome registrado na história ao se tornar o primeiro ser humano a pisar na Lua. Mas o homem que conquistou o solo lunar no dia 20 de julho de 1969 era, por lei, proibido de pisar no berço de seus ancestrais, em um vilarejo na Escócia.

Três anos após conquistar a Lua, o astronauta foi convidado para voltar as suas origens. No dia 11 de março de 1972, Neil Armstrong visitou Langholm, pequena cidade que possuía uma lei antiga condenando à forca qualquer pessoa com esse sobrenome encontrada no local. Em vez da execução pública, no entanto, o astronauta ganhou o título de "Freeman" (Homem livre), uma honraria inédita para o lugar, concedida em diversos países como reconhecimento por obras e realizações.

O clã

A pequena cidade de Langholm, conhecida popularmente como "Muckle Toon", fica no Distrito de Dumfries e Galloway, na Escócia, na fronteira com a Inglaterra. O lugar, que no ano 2000 tinha pouco mais de 2 mil habitantes, chegou a acolher em suas cercanias mais de 3 mil Armstrongs no passado.

De todas as famílias no sul da Escócia e norte da Inglaterra, o clã Armstrong era o mais temido. No período medieval, cavaleiros da família cobravam pedágio de quem passasse por suas terras e se bandeavam de lado a cada conflito bélico, ora defendendo a Escócia, ora lutando pela Inglaterra.

Por isso, a relação com os reis escoceses sempre foi turbulenta. Essa tensão culminou na morte do chefe do clã, John Armstrong, chamado também de Johnnie de Gilnockie, em 1530. O jovem Rei James V, com a intenção de silenciar os rebeldes da fronteira, convocou "Gilnockie" para uma reunião. No encontro, o rei ordenou que ele fosse enforcado, assim como seus asseclas. Era o início da queda do clã Armstrong.

A partir daquele momento, os Armstrong foram incluídos na lista de clãs escoceses rebeldes. Posteriormente, uma lei determinou que todo Armstrong encontrado na cidade deveria ser enforcado. Sem muitas opções, então, todos rumaram para longe, a maioria emigrando para os Estados Unidos e para a Inglaterra.

Cidade Natal

Centenas de anos depois, um Armstrong, natural de Wakaponeta, em Ohio (EUA), foi tão longe, que nunca mais será esquecido - especialmente pela terra que no passado expulsara seus antepassados. Após a Missão Apollo 11, que chegou à Lua, o conselho da cidade enviou para o Armstrong mais famoso do planeta um brasão da família e uma placa do distrito, marcando seus laços ancestrais com Langholm.

Ninguém esperava que o astronauta aceitaria o convite de visitar a cidade, mas as dúvidas se dissiparam no dia 11 de março de 1972. O herói americano passeou pelas ruas acompanhado de sua mulher, Janet. Oito mil pessoas, entre moradores e visitantes, escoceses e ingleses, se amontoaram para recebê-lo, aplaudi-lo e condecorá-lo. Todos seguiram em procissão até a Igreja Paroquial, onde foi realizada a cerimônia que concedeu ao astronauta o título de "Freeman".

Na Igreja, que hoje possui uma placa para marcar a ocasião, Armstrong foi agraciado com uma mensagem colocada dentro de uma caixa de nogueira, confeccionada à mão, no formato da fortaleza de Johnnie Armstrong. Depois de receber o presente, ele fez um juramento de lealdade como cidadão honorário e então assinou o documento para oficializar a honraria, segundo um jornal local chamado Eskdale & Liddesdale Advertiser.

"Sentimento genuíno"

"Este não é um dia para discursos, mas eu gostaria de indicar meu sincero prazer nesta honra única para mim. Meu prazer não é só que esta é a terra de Johnnie Armstrong, mas meu prazer está em saber que esta é a minha cidade natal e no sentimento genuíno que eu tenho entre estas colinas e entre essas pessoas", declarou Armstrong, após assinar o documento.

Aplaudido efusivamente pela plateia que assistia à cerimônia e pelas próprias autoridades presentes, Armstrong acrescentou: "É triste que o lugar mais difícil de se ser reconhecido seja em sua terra natal. E eu considero essa, agora, minha terra natal. Eu me sinto realmente em casa aqui e espero voltar."

O retorno

Quarenta anos depois, em 2012, houve o convite oficial para a volta, de acordo com a Câmara Municipal da cidade. Armstrong reiterou seu desejo de retornar, mas insistiu que não se fizesse um evento formal. Ele queria apenas matar a saudade de Langholm e visitar novamente suas origens, com a mesma discrição que marcou toda a sua trajetória pública.

Mas o desejo não se concretizou. Devido a complicações cardiovasculares, Neil Armstrong, homem livre de Langholm e o primeiro a pisar na Lua, deu o salto para a eternidade no dia 25 de agosto deste ano.

27 de ago. de 2012

Resista

Por: Fernando Barbante
Voltando para casa, após dez anos de guerra na planície de Tróia, Ulisses se aproxima dos rochedos onde as sereias costumam pentear os cabelos, dourar a tez e enfeitiçar os marinheiros com o canto sublime e enlouquecedor.

Ulisses, o astuto, se amarra ao mastro da nau e espera ansioso pelo espetáculo, sem correr o risco de, arrebatado pela música, se jogar no abismo das águas. A escuma murmurante do mar sobre as pedras, algumas sereias já surgiam e erguiam histéricas seus longos e fabulosos pescoços, surpresas com o intrépido marinheiro.

Ulisses, segundo ouvira dos velhos aedos, esperava que elas cantassem o segredo da vida, a origem e a razão de todas as coisas, a música que, feito uma trilha sonora da criação, revelasse nos seus versos, a sabedoria profunda do oceano ubérrimo. Seus marinheiros, com cera nos ouvidos, remavam impassíveis, evitando fitar nos olhos os monstros gigantescos a debater suas caudas escamosas sobre os lajedos como se marcassem com elas o ritmo embriagante dos solfejos.

Elas cantaram e Ulisses, ao ouvir, sentiu uma vontade enlouquecida de dançar, pois era na dança inspirada em tal música que guardava o segredo que as sereias ensinavam. Ulisses descobriu que os marinheiros enfeitiçados se atiravam nas águas não por um impulso suicida, mas sim por uma vontade embriagadora de sair dançando e de descobrir, na coreografia, o desejo inasno, a luxúria e o prazer! Mas ele, o esperto Ulisses, estava fortemente amarrado ao mastro. Não pode dançar nem pode entender, assim, o sentido da melodia que encantava a todos que por ali passavam, conduzindo-os a uma armadilha fatal.

Moral da história:

Se a tentação é muito forte, amarre-se ao que você tem de mais forte e valoroso. Pode ser uma sólida formação de caráter, o desejo de justiça, uma tremenda força moral. Se acredita que o "canto" seja por demais inebriante, extasiante a ponto de seduzi-lo(a), tape os ouvidos. Passados os rochedos, o mar irá se revelar calmo, com um horizonte limpo em todo o esplendor da aurora que anuncia boas novas.